Eu não consegui relaxar durante nenhum dos 168 minutos de Bastardos Inglórios, trabalho mais recente de Quentin Tarantino. Ri muito, é verdade, mas das ideias doentias do diretor e roteirista que ganharam vida na mão de um elenco brilhante. Escalpelamentos não costumam ser engraçados, afinal.

O filme é essencialmente absurdo, o que faz com o que você aceite o que está vendo. Tarantino mudou o rumo da II Guerra Mundial, incluindo heróis e anti-heróis responsáveis por um novo desfecho. E seus caminhos, a la Pulp Fiction, se cruzam num encerramento catártico e bizarro. O mérito do diretor está em transformar esse final num enorme alívio. Desesperado com diálogos longuíssimos que sempre resultam em explosões de violência tarantinesca, o espectador tem um momento de redenção com o (novo) fim da história.

Não é fácil resistir ao charme do Coronel Hans Landa, o melhor personagem do filme, construído habilmente a partir dos diálogos notáveis de Tarantino e com a interpretação soberba do alemão Christoph Waltz. Sua crueldade refinada constrata com a tosquice do grupo que dá nome ao filme, liderado pelo Tenente Aldo Raine de um inspirado Brad Pitt. Em comum, eles têm a obstinação por disseminar a fama de açougueiros ao cumprirem suas missões: matar judeus e nazistas, respectivamente.

Portanto, você já sabe o que esperar na poltrona do cinema: muita violência. A genialidade de Quentin Tarantino, porém, está em te torturar até o surgimento dela, como dito, com conversas intermináveis entre os personagens. Elas nunca são gratuitas, porém: explicam os personagens, suas motivações e as situações em que inevitavelmente se envolvem.

O recurso não é novo para o diretor. Basta lembrar de John Travolta e Samuel L. Jackson discutindo massagens nos pés em Pulp Fiction ou do duelo final de Kill Bill Vol. 2. Isso é “criar o clima”. Formulaico, talvez; mas Tarantino consegue surpreender com histórias cada vez mais interessantes com defechos cada vez mais dementes. Ainda mais mudando… o desfecho da História.

Nota: ★★★★★

Trailer:

Nota: Conteúdo fornecido por Bruno Volpato, em antiga parceria com o Geração Internet.
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1 comentário » sobre “Review: Bastardos Inglórios”

  1. Rocky LawrenceNo Gravatar disse:

    talvez seja muito bom,mas quando deixarem de explorar as pessoas ao fazerem downloads pedindo para cadastrar celulares,,porcaria,,esse tal de megalpload então,,fala sério,isso não pode acontecer

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