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Obrigado. A "pirataria" me ajudou!

por Rodrigo Cunha em 3/jan/2008 as 16:28 | Arquivo de Rodrigo Cunha
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Primeiro post de 2008. Não vou tratar de misticismo e de outras coisas que muitas pessoas gostam de abordar quando estão retomando suas atividades no ano novo. Assim como o último post de 2007, o primeiro de 2008 será longo, porém, muito interessante. Vou falar de um filme nada convencional que assisti recentemente e o bem que a Internet fez a ele. The Man From Earth é o tipo de filme que você dificilmente irá assistir em uma sala de cinema. Por que?

- É um filme independente. Consequentemente, mesmo lá fora, ele estreou em pouquissimas salas;

- É um filme extremamente instigante. É o tipo de filme que prova que é possível fazer um grande filme com um orçamento limitadíssimo, a ponto de ser filmado em uma única locação! Acredite, é um filme de ficção científica sem efeitos especiais. Acredite novamente: talvez seja o maior filme de ficção do ano. E por que não, um dos maiores já feitos até agora?

- Curiosamente, o filme inteiro é rodado em uma sala de estar! E qual a relação disso com o fato de ele estrear em poucas salas de cinema? Bem, sabemos que blockbusters rendem muito mais que filmes “cabeça”. O fato de o filme ser rodado full-time em uma sala de estar, pode espantar muita gente.

No entanto, além de o filme ser bárbaro e extremamente interessante - já imaginou um filme onde o ator principal revela ter 14.000 anos de idade e resolve revelar suas experiências à todos que estão sentados naquela sala de estar, abordando assuntos delicados como religião, guerra, fé e fazendo cair vários dogmas? - ele está ficando conhecido graças ao “download ilegal”. Sim, a pirataria! Bem, não gosto de chamar de pirataria o simples fato de você baixar o filme e assistir. Considero pirataria a comercialização desse conteúdo. Mas isso é um outro debate.

O fato é que a dita pirataria tem ajudado e MUITO na divulgação deste filme. Todos sabemos que, de certa forma, a pirataria serve de publicidade não só para filmes [Tropa de Elite...], como também para games que, logo fazem com que consoles de videogame vendam como água em países onde não são fabricados. Não entraremos aqui no debate sobre os prós e contras da pirataria ok?

Estamos na era da abundância. Quando tomamos conhecimento de algo que foi lançado nos EUA ou na Europa, também queremos poder comprar por um preço justo. Uma estratégia de lançamento simultâneo de filmes para cinema não é muito simples, além de ser bastante dispendiosa. Mas estamos na Era da Abundância. A Internet tornou tudo imediato. Não precisamos esperar o lançamento do Facebook no Brasil. As pessoas já utilizam a versão americana.

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Eric D. Wilkinson, o produtor de The Man From Earth: Favorecido pelo compartilhamento do filme na Web.

Por que estou falando isso? Porque está acontecendo o mesmo com o cinema. A maioria das pessoas faz o download de um filme recém-lançado nos EUA porque não quer esperar 1, 2 meses para o lançamento por aqui. Dificilmente essas mesmas pessoas fariam o download caso o filme fosse lançado simultaneamente em todo o mundo.

Houve, recentemente, o caso do filme 3 efes, que foi lançado simultaneamente em Cinema, DVD, TV e Web. Não sei até que ponto essa estratégia funcionou, mas sem dúvida, foi uma atitude corajosa e visionária. Era da Abundância não combina com escassez. Logicamente não é assim tão simples. As redes de cinema querem exclusividade em determinados títulos. Logo depois, as locadoras e as Tvs a Cabo faturam para depois a Tv Aberta ter a sua vez. É um modelo que funciona muito bem, porém, estamos também na Era da Internet, onde quase tudo é de graça e acessível a todos. Há, de certa forma, um contrasenso.

Na indústria da música não é muito diferente. Quantos artistas você conheceu através de “download ilegal”? Quantos deles ficaram famosos graças ao “download ilegal”? Não estou levantando a bandeira da pirataria, mas não há como negar que muitos sucessos foram sucesso graças à pirataria! Isso é um fato.

Estou aqui falando essas coisas, meras suposições, mas muito disso já é uma realidade. O próprio produtor do filme THE MAN FROM EARTH enviou um e-mail ao dono do blog ReleaseLog, agradecendo a divulgação dada ao filme e a todos que compartilharam o arquivo via torrent. Resumindo, ele agradeceu a todos que fizeram o download do filme. “Vocês ajudaram a colocar o meu filme no mapa”, disse ele. O e-mail completo você pode ler aqui.

Ah, o filme recebeu nota 8.4 no IMDB. Ele também está no ranking dos melhores filmes lançados neste século. Abaixo, seguem alguns links para mais informações e download do filme:

http://www.manfromearth.com/
site oficial. Neste site, acontece algo semelhante ao modelo Radiohead. Se você realizou o download do filme, o produtor sugere que você faça uma doação. No entanto, o arquivo para download não está no site. Como o próprio produtor é a favor do download do arquivo, disponibilizo aqui um link onde o download pode ser efetuado na íntegra.

http://cinemanotebook.blogspot.com/2007/12/man-from-earth-2007.html
pequeno review do filme

http://imdb.com/title/tt0756683/
link para o IMDB


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O Fim dos Estúdios de Hollywood?

por Rodrigo Cunha em 19/dez/2007 as 0:05 | Arquivo de Rodrigo Cunha
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Ok, o título do post é um tanto apocalíptico. Mas não consegui encontrar outro para descrever de forma tão direta o assunto que irei dar continuidade. Dando seqüência ao post anterior e, respondendo a pergunta lançada no título do mesmo, penso que Hollywood talvez não tenha aprendido a lição deixada pelo Napster.

Nem bem comentei sobre a probabilidade de os roteiristas encontrarem um meio para se desvincular dos estúdios - já que a greve ainda não foi encerrada e ambas as partes continuam insatisfeitas - já começam a surgir novidades acerca do assunto.

O José Murilo, do EcoDigital, me passou um link de uma matéria publicada pelo Los Angeles Times, por coincidência, no mesmo dia do meu post, que trata das “novas investidas” de roteiristas de cinema. Parece que, enquanto a greve segue, vários deles estão se reunindo com investidores afim de viabilizar projetos na Internet.

O objetivo? Atingir diretamente o consumidor final, sem o intermédio dos grandes estúdios! Soa grandioso certo? Até pode ser, mas não passa de um movimento natural, que já vem ocorrendo em vários setores da indústria do entretenimento, devido às facilidades proporcionadas pela nova Web.

Dentre os investidores que estão apostando nas idéias de alguns roteiristas, estão a Accel e a Dagres’ Spark Venture Capital. Essas empresas vêm conversando com os roteiristas deste o início da greve, que teve início há 7 semanas atrás.

Na realidade já havia movimentação em torno de iniciativas desse tipo, mas a greve só vem acelerando as coisas. Segundo a matéria do LA Times, alguns roteiristas revelaram que, se a greve tivesse durado cerca de 1 semana, teriam voltado ao trabalho normalmente. Como a greve continua, alguns continuam aproveitando o “tempo livre” para aperfeiçoar esses projetos.

Algumas possibilidades que poderiam surgir:

1. Os roteiristas poderiam investir em uma ferramenta semelhante ao Youtube. Associados a produtoras independentes, lançariam seus filmes e os venderiam através do portal. Para os consumidores, seria como pagar para assistir à um filme no cinema. Conseguindo se desvincular dos estúdios, poderiam permitir, além o domínio total das obras por tempo indeterminado, outras iniciativas que hoje não são possíveis graças ao domínio dos Estúdios.

2. Criação de um portal onde os usuários poderiam sugerir finais diferentes para um filme. Os melhores “finais alternativos”, escolhidos pelos próprios usuários, seriam filmados, gerando alguma renda para quem os criou.

Alguns pontos que favorecem a criação de tais modelos:

1. Haveria a possibilidade de realizar filmes para nichos com maior freqüência, uma vez que seria muito mais fácil atingir os mais variados nichos através da Web, tornando a produção desses conteúdos rentável graças a onipresença da Cauda Longa na Web. A indústria independente, finalmente brigaria lado a lado com os novos blockbusters, pelo menos no que se refere a distribuição.

2. Dentre os usuários de banda larga, a proporção dos que assistem à vídeos pelo menos 1 vez por semana, aumentou de 45% [percentagem obtida há 1 ano atrás] para 61%, segundo estudos da firma de pesquisa de marketing Horowitz Associates Inc., cujo relatório foi publicado esse mês.

E o capitalismo segue “em reforma”…

Ps.: A revista Rolling Stone desse mês, traz uma matéria sobre o desempenho, cada vez mais fraco, das bilheterias de cinema em todo o mundo.


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O Napster ensinou. Hollywood aprendeu?

por Rodrigo Cunha em 17/dez/2007 as 13:45 | Arquivo de Rodrigo Cunha
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Ontem, no Manhattan Connection, programa exibido a partir das 23h aos Domingos, no canal pago GNT, os participantes da mesa discutiram brevemente sobre a relação da Internet com o impacto da greve de roteiristas na indústria cinematográfica. Escrevi um post sobre o assunto no mês passado, onde publiquei na íntegra, um artigo escrito pelo roteirista-chefe da série LOST, publicado no jornal New York Times.

Ricardo Amorim, um dos gênios componentes da mesa do programa, juntamente com Caio Blinder, levantou, a certa altura, uma observação bastante interessante. Resumindo, ele disse que toda vez que há uma greve no setor, é natural que novas tecnologias e meios alternativos de transmissão sejam beneficiados.

A última greve de roteiristas de Hollywood ocorreu em 1988, e durou longos 5 meses. Na ocasião, o movimento impulsionou o advento da TV a Cabo. Já a greve atual, está contribuindo para impulsionar os estúdios a levarem em consideração, de uma vez por todas, a Internet como meio de transmissão de suas produções.

Entretanto, os estúdios insistem em afirmar que não obtém grandes dividendos com a comercialização de publicidade em séries e filmes através de seus websites e do iTunes. Obviamente, isso é uma falácia e os roteiristas já perceberam. Tanto que agora estão reivindicando o seu quinhão do que é comercializado na Web.

Essa greve, além da reivindicação dos roteiristas, acaba por jogar lenha na discussão sobre os direitos autorais na Web, já que os roteiristas começam a enxergar reais possibilidades de ganhos em geração de conteúdo para a rede. Enquanto isso, a TV aberta americana irá sofrer por falta de conteúdo já no início do próximo ano.

Como por consequência, o faturamento com venda de publicidade também deverá despencar. Com a falta de séries inéditas na TV, a saída será exibir reprises de séries, o que fatalmente acarretará em perda de audiência generalizada.

A não regularização da situação até o momento, já causa, além dos prejuízos na TV aberta, um impacto bastante profundo nas produções que estavam programadas para estrear em 2009, 2010. Sendo assim, é muito provável que o ano de 2009 seja o pior ano para o cinema americano.

Não é uma situação fácil de se resolver. Se os estúdios ainda não resolveram incluir os roteiristas nos ganhos obtidos através da Internet, é porque deve haver muita grana em jogo mesmo. No entanto, roteiristas, se quiserem, poderão “se virar” fazendo uso da Internet, produzindo conteúdo diretamente para a rede, sem o intermédio dos estúdios tradicionais.

Já os estúdios não tem saída. Ou assumem que o “novo modelo é viável” e deixam de ganhar na “surdina” e passam a compartilhar os ganhos com toda a cadeia produtiva, ou acabam sendo vítima do mesmo mal que afetou a indústria da música, quando as gravadoras não reconheceram, no dia 1º de Junho de 1999, a oportunidade que havia no surgimento do Napster. Seguindo a lição deixada pelo Napster, Hollywood poderá faturar alto, juntamente com toda a cadeia produtiva, num palco chamado Internet. Mas será que a lição foi assimilada?

Dar as costas para a evolução e aos novos padrões que a Web está impondo e, tentar a todo custo, fazer pressão para postergar o abandono do “velho”, quando este não tem mais fôlego perante aos “novos paradigmas” já se mostrou uma atitude BURRA. As gravadoras conhecem essa história muito bem.


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