Quando fazia os shows de abertura da turnê “Steel wheels”, dos Rolling Stones, no final dos anos 80, o Living Colour podia ser chamado de “moleque folgado”. Como é que aquela banda novinha podia fazer um som capaz de deixar Mick Jagger (que produzira o primeiro álbum da banda, “Vivid”, de 1988) de queixo caído?
O tempo passou, e o Living Colour lançou, pelo menos, mas dois discaços, “Time’s up” (1990) e “Stain” (1993). A receita era a mesma: uma mistura de rock com funk que ninguém conseguia fazer – pelo menos de forma tão satisfatória. Além da originalidade de suas músicas, o Living Colour podia (e ainda pode) se gabar de contar em sua formação com um dos melhores guitarristas (Vernon Reid) e bateristas (Willian Calhoun) do planeta. O tempo passou, a banda se separou para um retorno com “Collideoscope”, em 2003.
No ano passado, foi a vez de “The chair in the doorway”, um álbum que, se não chega a ser tão vigoroso quanto “Time’s up”, mantém o Living Colour como uma das melhores bandas de rock da atualidade. “The chair in the doorway” não pode ser considerado um álbum fácil. Mas, se o ouvinte tiver um pouco de paciência, certamente descobrirá detalhes interessantes nele. Na verdade, nesse novo disco, o Living Colour permanece na rota traçada a partir de “Stain”, quando partiu para um rock mais pesado e industrial, diferentemente do rock puxado para o funk dos seus dois primeiros álbuns – os melhores da carreira da banda, por sinal.
“The chair in the doorway” pode funcionar como uma continuação de “Stain”, desviando-se do “acidente de percurso “Collideoscope”, um álbum menor na discografia da banda de Vernon Reid. A diferença é que as novas canções soam um pouco mais comerciais do que as de “Stain”. E isso não é uma crítica, pelo contrário, tendo em vista que o Living Colour sabe contrabalançar muito bem o seu hard rock com um pop mais simples. O grande destaque do álbum, e que liga esses dois extremos, é “Hard times”, uma canção na qual dá para entender perfeitamente o poder de fogo do quarteto de Nova York, com uma ótima linha de guitarra de Reid. “Behind the sun” é um outro bom exemplo, dessa vez com destaque para os ótimos vocais de Corey Glover.
No funk-rock “Bless those” é a vez do baixista Doug Wimbish (que, aliás, originalmente, cantava essa canção nos shows que antecederam o lançamento do álbum). Em “Young man”, o Living Colour também investe em um rock misturado com o funk. O resultado não decepciona, como já era de se esperar. E quando a banda decide atacar com o puro hard rock, também não há decepções, conforme pode ser ouvido em petardos como “Burning bridges”, “DecaDance” e “Out of mind”. E mesmo no pop-rock, caso de “That’s what you taught me”, o Living Colour mostra que pode fazer boa música sem parecer banal.
Enfim, para os iniciados em Living Colour, “The chair in the doorway” é um prato cheio. Será mais um álbum para ser apreciado por um longo tempo. Para quem não conhece a banda direito, talvez seja melhor fazer antes o dever de casa, ouvindo os clássicos “Vivid” e “Time’s Up”.
Nota: 




Logo abaixo, a faixa “DecaDance”:

![[REVIEW] LIVING COLOUR: The Chair in the Doorway](http://www.geracaointernet.com/wp-content/plugins/ttftitles/cache/95fb4a6360fa3e7bf8ff3190f51ac2b3.png)





Esqueceste de METHOD, prá mim o melhor track deste novo excel do 'Cores Vivas'.
Penso que LC merece mais reconhecimento, especialmente da molecada que curte muita porcaria.
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