Ontem, no Manhattan Connection, programa exibido a partir das 23h aos Domingos, no canal pago GNT, os participantes da mesa discutiram brevemente sobre a relação da Internet com o impacto da greve de roteiristas na indústria cinematográfica. Escrevi um post sobre o assunto no mês passado, onde publiquei na íntegra, um artigo escrito pelo roteirista-chefe da série LOST, publicado no jornal New York Times.
Ricardo Amorim, um dos gênios componentes da mesa do programa, juntamente com Caio Blinder, levantou, a certa altura, uma observação bastante interessante. Resumindo, ele disse que toda vez que há uma greve no setor, é natural que novas tecnologias e meios alternativos de transmissão sejam beneficiados.
A última greve de roteiristas de Hollywood ocorreu em 1988, e durou longos 5 meses. Na ocasião, o movimento impulsionou o advento da TV a Cabo. Já a greve atual, está contribuindo para impulsionar os estúdios a levarem em consideração, de uma vez por todas, a Internet como meio de transmissão de suas produções.
Entretanto, os estúdios insistem em afirmar que não obtém grandes dividendos com a comercialização de publicidade em séries e filmes através de seus websites e do iTunes. Obviamente, isso é uma falácia e os roteiristas já perceberam. Tanto que agora estão reivindicando o seu quinhão do que é comercializado na Web.
Essa greve, além da reivindicação dos roteiristas, acaba por jogar lenha na discussão sobre os direitos autorais na Web, já que os roteiristas começam a enxergar reais possibilidades de ganhos em geração de conteúdo para a rede. Enquanto isso, a TV aberta americana irá sofrer por falta de conteúdo já no início do próximo ano.
Como por consequência, o faturamento com venda de publicidade também deverá despencar. Com a falta de séries inéditas na TV, a saída será exibir reprises de séries, o que fatalmente acarretará em perda de audiência generalizada.
A não regularização da situação até o momento, já causa, além dos prejuízos na TV aberta, um impacto bastante profundo nas produções que estavam programadas para estrear em 2009, 2010. Sendo assim, é muito provável que o ano de 2009 seja o pior ano para o cinema americano.
Não é uma situação fácil de se resolver. Se os estúdios ainda não resolveram incluir os roteiristas nos ganhos obtidos através da Internet, é porque deve haver muita grana em jogo mesmo. No entanto, roteiristas, se quiserem, poderão “se virar” fazendo uso da Internet, produzindo conteúdo diretamente para a rede, sem o intermédio dos estúdios tradicionais.
Já os estúdios não tem saída. Ou assumem que o “novo modelo é viável” e deixam de ganhar na “surdina” e passam a compartilhar os ganhos com toda a cadeia produtiva, ou acabam sendo vítima do mesmo mal que afetou a indústria da música, quando as gravadoras não reconheceram, no dia 1º de Junho de 1999, a oportunidade que havia no surgimento do Napster. Seguindo a lição deixada pelo Napster, Hollywood poderá faturar alto, juntamente com toda a cadeia produtiva, num palco chamado Internet. Mas será que a lição foi assimilada?
Dar as costas para a evolução e aos novos padrões que a Web está impondo e, tentar a todo custo, fazer pressão para postergar o abandono do “velho”, quando este não tem mais fôlego perante aos “novos paradigmas” já se mostrou uma atitude BURRA. As gravadoras conhecem essa história muito bem.





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